Aproveitamento da água residuária do processamento do café para fertirrigação
Rica em nutrientes, a água residuária do café pode ser reaproveitada na fertirrigação de lavouras para reduzir custos de adubação e prevenir danos ambientais.
De onde vem a água residuária do café
O processamento dos frutos de café envolve lavagem, descascamento e separação da casca, resultando em café cereja descascado, de maior valor comercial. Durante a lavagem, sujidades, fragmentos de folhas e ramos são incorporados à água. No descascamento, parte da polpa ou mucilagem também se mistura à água, gerando o que se denomina “águas residuárias do café”.
Segundo o pesquisador da Embrapa Café, Sammy Fernandes, o descascamento remove parte da mucilagem, reduzindo o risco de fermentação, já que ela é um excelente substrato para microrganismos fermentadores. Esse risco diminui ainda mais com o uso de desmucilador ou degomagem.
Além disso, a separação entre grão e casca traz outras vantagens:
Secagem mais rápida
Menor volume de grãos a serem secos
Menor demanda de infraestrutura
Menos mão de obra
Redução do custo de secagem
Problemas ambientais potenciais
A água utilizada no processamento do café apresenta alta carga orgânica, composta por restos de folhas, frutos e mucilagem, com grande potencial de contaminação ambiental.
Para lançamento em corpos hídricos, deve atender às normas da Resolução CONAMA nº 430/2011. No Espírito Santo, a legislação é mais restritiva: a água não pode ser lançada diretamente em mananciais.
A Instrução Normativa nº 015/2014 do IDAF determina que a destinação correta é a aplicação no solo, por:
Fertirrigação
Infiltração superficial
Escoamento superficial
Desenvolvimento de tecnologia para aproveitamento agrícola
Pesquisadores do Incaper, IFES, EPAMIG, UFV e Embrapa Café desenvolveram uma tecnologia que permite usar essa água como fonte de adubação orgânica em lavouras de café e outras culturas.
Os benefícios incluem:
Redução no risco de contaminação ambiental
Devolução de nutrientes ao solo
Melhora nas características físicas, químicas e biológicas do solo
Redução de custo com adubação
A tecnologia está detalhada na publicação
“Teores de nutrientes nas águas residuárias do café e características químicas do solo após sua aplicação”, disponível no Observatório do Café.
Como funciona o reaproveitamento
Segundo Luiz Carlos Prezotti, pesquisador do Incaper e coordenador do projeto, a água que entra limpa no processamento sai enriquecida com microrganismos e nutrientes. Reutilizando a água, sua concentração nutritiva aumenta progressivamente.
No entanto, o descarte inadequado pode causar:
Eutrofização de mananciais
Crescimento excessivo de algas
Redução do oxigênio
Morte de organismos aquáticos
Por isso, a aplicação no solo é considerada sustentável e fecha o ciclo de nutrientes, retornando ao campo aquilo que foi retirado pela planta.
Validação da tecnologia
Unidades demonstrativas foram instaladas em lavouras de café, com dias de campo para orientar produtores e técnicos.
A recomendação é que o uso da água residuária:
Seja baseado em análise química da água e do solo
Tenha doses calculadas em função da necessidade nutricional da cultura
Não seja aplicada com foco no suprimento hídrico, mas sim nutricional
Aplicação excessiva pode resultar em:
Desequilíbrios nutricionais
Acúmulo elevado de potássio
Danos às plantas
Formas de aplicação
Prezotti recomenda:
Aplicação bem distribuída na lavoura
Preferência pela irrigação por aspersão
Se o beneficiamento estiver em área elevada, a distribuição pode ocorrer por gravidade; caso contrário, com auxílio de bombas.
Benefícios diretos ao produtor
Além da preservação ambiental, o reúso da água residuária:
Reduz gastos com adubação
Diminui o volume de material enviado para secagem
Reduz uso de mão de obra
Melhora a uniformidade de secagem
Eleva a qualidade do café
O produtor Iúri Tristão, de Brejetuba (ES), relata resultados positivos após a aplicação em lavouras de milho e inhame, incluindo:
Maior teor de potássio no solo
Economia em adubação
Mais informações
Procure o escritório local do Incaper em seu município e consulte:
“Teores de nutrientes nas águas residuárias do café e características químicas do solo após sua aplicação” (Incaper)
“Produção do café cereja descascado – Equipamentos e custo de processamento” (Embrapa Café)
Sites das instituições envolvidas
http://www.incaper.es.gov.br/
http://www.ifes.edu.br/
http://www.epamig.br/
http://www.ufv.br/
https://www.embrapa.br/cafe
http://www.consorciopesquisacafe.com.br/
Texto da Assessoria de Imprensa do Incaper, com adaptações da Gerência de Transferência de Tecnologia da Embrapa Café.
Luciana Silvestre, Juliana Esteves e Tatiana Caus (Assessoria de Imprensa do Incaper).
Contatos:
juliana.esteves@incaper.es.gov.br / tatianacaus@seag.es.gov.br
(27) 3636 3673 / (27) 3636 3689 / (27) 3636 3659