Transferência de Tecnologia em Rondônia Destaca Cuidados na Colheita e Pós-Colheita do Café
Introdução
Tecnologias desenvolvidas pelo Consórcio Pesquisa Café e acessíveis aos cafeicultores são apresentadas e demonstradas a técnicos extensionistas da região. O processo de colheita e pós-colheita do café, com foco na qualidade, foi tema de treinamento realizado em Ouro Preto do Oeste, Rondônia, nos dias 28 e 29 de maio, pela Embrapa Café e Embrapa Rondônia em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, a Universidade Federal de Viçosa - UFV e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - Epamig - todas instituições participantes do Consórcio Pesquisa Café -, e ainda a Conilon Brasil e a Emater-RO.
Participação e Objetivo do Evento
O evento reuniu 40 técnicos e extensionistas, assim como produtores e estudantes, que irão repassar aos cafeicultores da região as inovações e tecnologias viáveis e voltadas para a agricultura familiar.
Temas Abordados
Durante o evento foram abordados temas como:
Produção Integrada do Café
Desafios e perspectivas da cafeicultura no estado
Colheita semimecanizada
Despolpamento e secagem do café
Terreiro secador de cobertura móvel
Classificação do café
Tecnologias de colheita e pós-colheita
Os assuntos foram apresentados de forma teórica e prática.
Participantes de Diversas Regiões
O curso recebeu participantes de diversas regiões de Rondônia e também do Acre. O técnico da Emater-RO Mário Neuman percorreu cerca de 500 quilômetros para participar do treinamento. Segundo ele, valeu a pena o aprendizado adquirido. "Estamos em busca de mais informações e tecnologias para melhorarmos as lavouras de Ponta do Abunã (distrito de Porto Velho) e estou comprovando aqui que precisamos melhorar e muito em qualidade e vamos levar isso aos produtores da nossa região. Um conhecimento muito valioso que precisamos repassar", afirma Mário.
Intercâmbio de Experiências Interestadual
Assim como ele, outros participantes vieram de longe. O coordenador do Programa do Café da Secretaria de Estado de Pequenos Negócios do Acre, Rômulo Ribeiro, por exemplo, juntamente com outros técnicos e produtores do estado, vieram ao treinamento em busca de inovações e práticas que possam ser adotadas pelos cafeicultores acreanos. "Estamos começando o programa do café no Acre e queremos agregar conhecimentos e tecnologias já existentes aqui em Rondônia. O curso está sendo muito proveitoso e, com certeza, vamos levar muitas novidades aos cafeicultores do Acre e também a experiência de que precisamos estar atentos à qualidade em todo o processo", diz Ribeiro.
Foco na Qualidade
Importância Econômica da Cafeicultura em Rondônia
A cafeicultura em Rondônia é uma das principais atividades agrícolas, destacando o estado como o sexto maior produtor de café do País, além de ser o segundo da espécie Coffea Canephora. No entanto, ainda há muito a fazer quanto à qualidade do café.
Necessidade de Investimento em Qualidade
"É preciso aproveitar o potencial de Rondônia para a cafeicultura e investir em qualidade, para que a atividade se torne mais competitiva no mercado", destaca o diretor comercial da Cooperativa de Produtores Rurais Organizados para Ajuda Mútua (Coocaran) de Rondônia, Leandro Dias.
Ele complementa dizendo que a classificação do café do estado está entre 500 a 600 defeitos, quando a tabela vai até 360, ou seja, o café não é classificado e perde muito por falta de qualidade. "Os defeitos são decorrentes de uma colheita e pós-colheita mal feitas, sem a devida atenção para a qualidade. E os cafeicultores precisam e têm condições de reverter esse quadro adotando tecnologias e práticas acessíveis, ou perderão cada vez mais mercado. É necessário que os produtores comecem a fazer as contas, colocar 'na ponta do lápis' os custos e as perdas por não investirem em qualidade. Para ter uma ideia, quando o cafeicultor opta por colher o grão verde em vez do maduro, ele tem uma perda de cerda de 30%", explica Leandro.
Produção Integrada do Café
Sustentabilidade e Certificação
O pesquisador da Embrapa Café Júlio César Santos apresentou aos participantes a Produção Integrada do Café, que tem por objetivo tornar a produção de café mais sustentável, por meio da adoção das Boas Práticas Agrícolas, rastreabilidade e sustentabilidade econômica, social e ambiental.
Essa ação atende também às exigências do mercado, que cobra e valoriza condições apropriadas de produção e certificação do produto. As notas técnicas do PIC estão na Instrução Normativa nº 49, publicada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em setembro de 2013.
"A PIC é importante para a sustentabilidade da propriedade. Esse programa é nacional e é importante enfatizar a adoção de tecnologias mais eficientes, de baixo impacto ambiental e que favoreçam a rastreabilidade do produto, desde a instalação da lavoura até a comercialização", conclui o pesquisador.
Tecnologia: Terreiro Secador de Cobertura Móvel
Funcionamento e Benefícios
Durante o evento, os participantes conheceram práticas e tecnologias que podem ser adotadas pelos produtores. Um dos destaques que chamou a atenção foi o terreiro secador de cobertura móvel, que foi desenvolvido e está em fase de teste pela Embrapa Rondônia.
Trata-se de um terreiro de alvenaria tipo barcaça, que tem uma cobertura móvel e com telha transparente, possibilitando a secagem do café mesmo durante a chuva. Esse sistema proporciona ainda uma secagem homogênea e com temperatura perto da ideal, que vai de 35°C a 45°C.
Comparação com Secadores Convencionais
Ao contrário de secadores convencionais (lenha e carvão), em que, muitas vezes, para secar o café em menor tempo, o grão é levado a temperaturas que chegam a 300°C, modificando suas propriedades físicas e químicas, o que provoca perda da qualidade.
O tempo de secagem no terreiro de cobertura móvel é em média de três a quatro dias, bem equiparado aos secadores convencionais que atendem ao processo de secagem com qualidade.
"Esse terreiro de cimento de cobertura móvel é uma tecnologia viável para o produtor, pois diminui mão-de-obra, uma vez que não será necessário fazer a amontoa do café nos períodos de chuva, ou mesmo durante a noite. Além de ser um processo de secagem que pode ser considerado de baixo custo e ecologicamente sustentável, pois utiliza energia solar", argumenta o pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves.
Colheita Semimecanizada do Café Conilon
Realidade da Produção no Estado
A cafeicultura em Rondônia é conduzida em pequenas propriedades e baseadas na agricultura familiar. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produtividade média dos cafezais em Rondônia é baixa, média de 16 sacas por hectare, cultivados por cerca de 21 mil produtores, que têm no café a principal fonte de renda e é responsável pela manutenção dessas famílias no campo.
Busca por Soluções para Falta de Mão de Obra
No entanto, um dos principais gargalos enfrentados por esses produtores é a falta de mão-de-obra, que limita o desenvolvimento da produção, tanto em quantidade como em qualidade. E, com o intuito de minimizar esse problema, durante o treinamento foi apresentada também a colheita semimecanizada do café Canephora, que pode ser uma alternativa viável.
"A Embrapa Rondônia está realizando testes e o objetivo é avaliar o desempenho e a viabilidade da colheita semimecanizada. Também será estudado o efeito dessa alternativa à colheita manual sobre a produção e qualidade do café, assim como a longevidade das plantas", explica o pesquisador Enrique Alves.